Sempre lembremos que argumentos que apelam a emoção são falaciosos, e quase sempre mal intencionados. Quando defendem o assassinato de cães (chamam de "eutanásia" para amenizar) *supostamente* infectados com a leishmania, sempre apelam para o argumento chocante: "seu cão ou seu filho". Mostram imagens tristes de adultos e crianças com a doença e pregam que estão defendendo os seres humanos... Assim é fácil conseguir apoio para a chacina.
O que ocorre é que não existe essa escolha. Não estão defendendo ninguém. Só estão com uma forte desculpa esfarrapada para eliminar os animais.
O Estado, os criadores irresponsáveis e aqueles que abandonam animais são responsáveis pela superpopulação de cães na rua. Qualquer desculpa para executa-los e o poder público sai de sua inercia para começar a matança.
Usam a desculpa de que SUPOSTAMENTE (não há qualquer comprovação desse fato, sendo mera hipótese) o tratamento dos cães fortaleceria o parasita, visto que se usa o mesmo medicamento dos humanos. Como existe essa reles hipótese, "proíbem" o tratamento do animal. [digo "proíbem" entre aspas porque esse holocausto do executivo é questionável e há entendimentos divergentes do judiciário, incluindo do STF em decisões que permitem o tratamento] Sempre é o animal que se dá mal, visto como um "saco de parasitas", não como um ser senciente digno de cuidados e respeito.
Ora, sendo por isso, ao infectarmos humanos e darmos a eles remédios de humanos (todos são tratados assim!), temos um monte de "sacos de parasitas humanos" perambulando pelas ruas e com o protozoários sendo supostamente "fortalecidos", tornando-os resistentes aos fármacos! E essa adaptação ocorreria de forma ainda mais danosa aos humanos pois o parasita já se encontra no meio que "querem evitar" que é o corpo humano.
Porque então não sacrificar os humanos infectados? Poderiam fazer isso também de forma indolor, com anestésicos e dando uma injeção de KCl. Poderiam fazer isso também com os animais silvestres, dentro das reservas, com as galinhas, gambás, gatos ou qualquer animal que identificarem como possíveis portadores da doença.
[Não se preocupem, nós protetores dos animais não queremos que sacrifiquem humanos, era apenas argumentação]
Já se sabe que a matança de cães não resolve problema nenhum. Não reduz a incidência de Leishmaniose.(nem o problema da superpopulação canina, que só programas de castração e (porque não?) a proibição do comércio de animais, podem resolver). Tal matança já é feita a muitas décadas e não só a incidência de leishmaniose aumentou como já foram consideradas como regiões endêmicas 19 estados brasileiros. (só para ilustrar, de 1980 a 1991, o "programa brasileiro de controle de leishmaniose assassinou 137.243 cães - Rev. Inst. Med. trop. S. Paulo vol.48 no.3 São Paulo May/June 2006)
O absurdo é tão grande que o teste feito pelo governo é o teste simples que não é específico para a Leishmania (mais barato do que o teste definitivo) e tem grande chance de resultar em um falso positivo.
Ou seja, estão matando cães supostamente contaminados, porque supostamente o tratamento deles prejudicaria os humanos e na cabeça dos nossos governantes isso supostamente seria uma boa desculpa para supostamente reduzir a população. Esse genocídio é justificado por suposições e facilitados pelo pânico da população frente os argumentos falaciosos.
Vamos exigir que os cães sejam vacinados preventivamente! Vamos exigir que seja combatida a proliferação do mosquito-palha! E vamos exigir o direito de tratar os animais infectados, assim como não deixaríamos nossos amigos ou nossos filhos sem tratamento!